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Medidas para atração e fixação de população precisam-se!

Altino Pinto | Diretor |
“Medidas para atração e fixação de população precisam-se!”

Estamos a chegar ao fim de mais um ano civil e, naturalmente, é altura em que, quer a nível pessoal como institucional, se fazem balanços da atividade anual e se projeta o futuro. Foi nesse sentido que o Município de Aguiar da Beira aprovou as opções de plano e o orçamento para o exercício de 2020. Um documento previsional que, como já nos habituou, apresenta poucas alterações e novidades, relativamente aos anteriores, mas que segue uma estratégia de desenvolvimento e a linha da continuidade do executivo autárquico independente, no poder desde 2013, e que se foca em importantes medidas sociais, como os incentivos à educação, atividades seniores e apoios sociais, e em benefícios fiscais no IRS, IMI e Derrama; nos essenciais eventos económico-culturais e desportivos; nos relevantes apoios às atividades do agronegócio; e nas (re)correntes “obras do paralelo, betão e alcatrão”.

A política seguida tem, de facto, valorizado, sobretudo, as infraestruturas do território, as famílias, os jovens estudantes, os seniores, o turismo de natureza e os produtos endógenos. Estes dois últimos, não querendo dizer que são mais ou menos importantes que os anteriores, têm tido resultados muito “produtivos” para o concelho, como o forte posicionamento e a atratividade de Aguiar da Beira para a prática da modalidade desportiva de orientação e o considerável crescimento do setor agrícola, nomeadamente na cultura da castanha.

Todas essas medidas têm sido importantes para a qualidade de vida e fixação de pessoas no concelho, mas, na minha opinião, será preciso muito mais para contrariar os graves problemas de envelhecimento e de baixa natalidade e a consequente perda de população, que está a acontecer a um ritmo vertiginoso; o êxodo rural; a desertificação territorial; a escassez de atividades económicas; a fraca projeção dos mercados; as poucas oportunidades de emprego, rendimentos baixos, falta de incentivos à habitação e consequente dificuldade na fixação das pessoas; o território pouco atrativo para os jovens; o défice de massa crítica e de empreendedorismo; a oferta insuficiente de serviços de saúde e educação; a reduzida eficácia na construção de parcerias; a rede de transportes deficitária; entre outros problemas identificados no Diagnóstico Económico Social e Prospetivo de Aguiar da Beira.

Este estudo, que identifica fraquezas e forças e aponta propostas de intervenção para o território, elaborado no âmbito do CLDS 3G Aguiar no Coração – coordenado pelo Centro Social Paroquial de Dornelas – e aprovado em junho passado em plenário do Conselho Local de Ação Social (CLAS), está disponível para consulta no (site) município (e foi dado a conhecer na edição 110 do nosso jornal) e tem de ser um instrumento de trabalho e de planeamento estratégico obrigatório para a autarquia (bem como para todos os agentes ou investidores do território).

Mais uma vez, considero, essencialmente, que é necessária uma aposta mais séria em medidas que gerem mais emprego, investindo em políticas que beneficiem financeiramente as empresas, que ajudem à criação de novos postos de trabalho e à instalação de novos negócios, tornando o concelho mais atrativo para as pessoas em idade ativa.

O programa continua a não prever ações para a resolução de problemas importantes como a falta de espaços e condições para a instalação de empresas/industrias – a revitalização da zona industrial de Aguiar da Beira é mais premente que o plano de pormenor da zona industrial em Moreira – e para a construção ou arrendamento de novas habitações; ou para a valorização e motivação dos jovens residentes; e a implementação de um sistema de transportes em articulação com os serviços do centro de saúde, com os serviços municipais e regionais.

A construção, a beneficiação e a requalificação de infraestruturas, bem como os apoios municipais às famílias são, sem dúvida, bem-vindos e importantes para proporcionar condições e qualidade de vida à população, mas, na realidade atual, são urgentes mais medidas que promovam a atração e a fixação de gente e a criação de incentivos à economia e à saúde.

Altino Pinto

altinopinto@gmail.com

Edição 114, 14 de dezembro de 2019

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