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“Míscaro amarelo” rei em Certame Gastronómico do Míscaro

7ª Edição do evento de promoção dos recursos micológicos e de outros produtos endógenos recebeu centenas de visitantes em Aguiar da Beira. Vendidos sensivelmente 250 kg de “míscaros amarelos”

Aguiar da Beira teve, a 23 e 24 de novembro passado, mais um fim de semana de excelência na promoção dos recursos micológicos e de outros produtos da terra, com múltiplas iniciativas desenvolvidas em redor dos cogumelos e onde o “míscaro amarelo” (Tricholoma equestre) foi o rei da festa.

Este cogumelo silvestre, tão procurado nesta altura do ano pelo concelho, foi o principal produto em destaque na VII edição do Certame Gastronómico do Míscaro. Segundo o Gabinete Municipal de Micologia foram vendidos no mercadinho do festival cerca de 250 kg de “míscaros” em fresco, fora os consumidos nas tasquinhas e nos restaurantes aderentes ao evento.

Também foi possível encontrar outros fungos silvestres, como os boletos (cepas) e os tortulhos, ou os cogumelos shiitake produzidos em troncos. Mas, o “míscaro amarelo” foi, de facto, a principal atração entre os cogumelos. O preço estava tabelado nos 10 euros/kg (no ano anterior custava 15 e há dois anos 25 euros), isto porque este ano foi farto.

O certame apresentou um programa de atividades diversificado, no qual se destacaram o espaço gastronómico, com mercadinho e sessões de produção de cogumelos e de cozinha ao vivo, o passeio micológico, a animação musical e a corrida e caminhada na natureza Trail do Míscaro, que atraiu 600 participantes. “Um sucesso. Dois dias de grande animação e exaltação da nossa terra”, considerou o presidente do município, Joaquim Bonifácio.

A maioria das iniciativas decorreram no pavilhão gimnodesportivo, num espaço bem dinamizado por tasquinhas gastronómicas e pelo mercadinho de produtos da terra e artesanato local, que mais uma vez, apresentou uma excelente qualidade dos produtos endógenos e iguarias locais. As instituições sociais e as juntas de freguesia tiveram grande empenho e representaram o que de melhor tem o concelho no panorama da gastronomia: míscaros, castanha, mel, maçã, queijo, enchidos, pão, doces e compotas, frutos secos, leguminosas, artesanato variado, entre outros produtos naturais e confecionados.

Dentro de portas, destaque ainda para o workshop de produção de cogumelos em troncos, da sessão de cozinha ao vivo com o chef aguiarense Gabriel Amaral, a atuação de diversos grupos de concertina do concelho, a atuação do artista popular Ruizinho de Penacova, o festival de ranchos folclóricos e o magusto comunitário.

Ao ar livre realizou-se o passeio com colheita micológica no percurso de orientação “Rota do Míscaro”, orientado pelo gabinete de micologia e pelos micólogos participantes no IV Encontro da Sociedade Ibérica de Micologia (ver texto ao lado), e a corrida e caminhada na natureza “Trail do Míscaro” (pág. 24). Houve também um Roteiro Gastronómico do Míscaro pelos restaurantes do concelho aderentes.

A 7ª edição do Certame Gastronómico do Míscaro, organizada pela autarquia e pelo seu gabinete de micologia, em parceria com as juntas de freguesia e IPSS do concelho, o Rancho Folclórico de Pena Verde e o jornal +Aguiar da Beira, registou a presença de cerca de 50 expositores, cinco tasquinhas e de centenas de visitantes de todo o país.

 

“Momento muito importante no desenvolvimento económico do concelho”

O Certame Gastronómico do Míscaro tem como objetivo principal dar maior visibilidade e valorização a um produto endógeno de qualidade e a uma atividade que, embora sazonal, constitui um importante complemento económico para muitas famílias, seja através da venda direta pelos coletores, seja pela oferta gastronómica dos restaurantes do concelho. “Um evento que tem tido um impacto muito positivo e, por isso, mesmo queremos reforça-lo como um momento muito importante no desenvolvimento económico do concelho”, afirmou o presidente da Câmara Municipal de Aguiar da Beira, no discurso de abertura.

Perante muitos autarcas, representantes de entidades regionais e visitantes, Joaquim Bonifácio realçou que “uma parte da atividade económica do concelho tem que assentar na promoção dos produtos e no aproveitamento e divulgação do património histórico, paisagístico e gastronómico. “Tem de haver uma conjugação entre estes produtos, este património e a sua exploração comercial, nomeadamente através do turismo rural, gastronómico ou de outra natureza. Temos de saber cada vez mais valorizar e vender o nosso território através dos nossos produtos e das nossas potencialidades”, referiu, sublinhando que “é necessário gostarmos e sentirmos a nossa terra”.

“Sentir Aguiar da Beira é como sentir todos os concelhos do interior, é estarmos sempre disponíveis para darmos todo e qualquer contributo para um único fim, que é o desenvolvimento do nosso concelho”, concluiu.

O trabalho feito pelo município na valorização dos recursos micológicos foi ainda realçado pelo presidente da Assembleia Municipal de Aguiar da Beira, que elogiou o trabalho que o gabinete de micologia tem feito na identificação e proteção dos cogumelos e na formação das pessoas.

Virgílio Cunha incentivou os aguiarenses a aproveitar esse recurso e deixou ainda uma provocação ao município vizinho Sátão, que se intitula de “Capital do Míscaro”. “Há um termo mais apelativo para Aguiar da Beira, e que lanço aqui o repto, Aguiar da Beira é o solar dos cogumelos. Temos solo, temos clima, temos todas as condições para que realmente sejamos apelidados do solar dos cogumelos”, afirmou.

Aproveitando a presença dos autarcas “da melhor região de cogumelos do país”, o engenheiro desafiou-os para “a criação de legislação que regulamente e proteja a colheita dos cogumelos, para que realmente cada um saiba o que deve colher e onde deve colher”.

 

Concelho com investimento de 16,5 milhões de euros no setor agrícola

Outro dos intervenientes na cerimónia de inauguração do Certame Gastronómico do Míscaro foi o representante da Delegação Regional de Agricultura e Pescas do Centro – Viseu (DRAPC), que enalteceu as boas relações desta instituição com o município aguiarense, resultando em excelentes resultados e num crescimento considerável dos investimentos no setor agrícola.

“Para quem acha que nesta região não há agricultura, o Concelho de Aguiar da Beira tem cerca de 750 explorações agrícolas licenciadas, o que quer dizer que estão aqui a ser trabalhados cerca de três mil hectares. Isto é revelador da dinâmica do concelho face às dificuldades que é trabalhar numa atividade a céu aberto, como é a atividade agrícola”, realçou Jorge Carreira, enaltecendo uma série de produtos que, “pelo facto da sua genuinidade, tradição e identidade, e graças à legislação comunitária, conseguiram a partir dos anos 90 chamar a si um reconhecimento”.

“A Maçã da Beira Alta, que é uma IGP (Indicação Geográfica Protegida); a Maçã Bravo de Esmolfe, que é uma DOP (Denominação de Origem Protegida). Designações que abrangem todas as freguesias do concelho. Depois há ainda a castanha dos Soutos da Lapa, que é DOP e na região Dão Lafões é o único concelho que está abrangido por essa denominação, e o queijo Serra da Estrela, sensivelmente metade da área do concelho pertence a essa região demarcada”, enumerou.

O engenheiro da DRAPC disse também que essas “características peculiares do concelho” refletem-se em termos de empreendedorismo, avançando que o investimento, nos últimos cinco anos, foi na ordem dos 16,5 milhões de euros.

“Os números do PDR2020, último quadro comunitário que está em vigor desde 2014, em investimentos no território de Aguiar da Beira traduzem-se em cerca de 70 candidaturas – 50 não jovens e 20 de jovens agricultores. As candidaturas “per si” são significativas, em termos de investimento estamos a falar num valor contratado na ordem dos 16,5 milhões de euros, o que representa um apoio público de cerca de 7,5 milhões de euros”, revelou.

Esses investimentos apoiados pelos fundos comunitários são, sobretudo, anunciou, “na avicultura, com 22 candidaturas de cerca de 6,5 milhos de euros; na castanha, praticamente o mesmo número de projetos; nos bovinos, na ordem de meio milhão de euros; nos caprinos, com cerca de 800 mil euros; e depois alguns investimentos numa área que identifica também perfeitamente Aguiar da Beira, que é a parte da transformação e comercialização dos lacticínios”.

Jorge Carreira terminou com a preocupação da sustentabilidade ambiental do território, que “tem sido levado em conta no concelho com o crescimento considerável das áreas de soutos de castanheiros”. “Aspeto importante para compensar a grande área ocupada pela avicultura” e para proporcionar “um desenvolvimento harmonioso, como bem defende o Município de Aguiar da Beira e todas as autarquias do interior”.

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